Autor Tópico: Se os médiuns comerciantes proliferam, é porque alguém os frequenta...  (Lida 393 vezes)

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Offline Ricardo

Para que nos entendamos: médiuns são pessoas que supostamente têm a faculdade da percepção extra-sensorial, ou mediunidade, que lhes permite comunicar, de alguma forma, com o mundo dos Espíritos.

Médiuns comerciantes são os médiuns que se fazem pagar pelos seus serviços.

Há pessoas que procuram os médiuns comerciantes por motivos um tanto ingénuos: porque querem enriquecer, porque querem seduzir alguém, porque querem ter "sorte", porque querem passar em exames, porque acham que foram vítimas de quebrantos e maus-olhados, etc..


O "cardápio" que esses "profissionais" oferecem é variado, e muito tentador para quem acredita em soluções fáceis, e... mágicas!

E na verdade é de Magia que se trata. A Magia é a crença de que o rumo dos acontecimentos pode ser alterado mediante a prática de rituais ou esconjuros. Vem da Pré-História e manifesta-se de várias formas ainda nos dias de hoje. A Magia a que nos referimos é habilmente vendida por esses negociantes, nem sempre sérios, que se aproveitam de chavões e modas para o seu marketing.

Referimo-nos ao típico médium comerciante que se anuncia nos jornais, que às vezes tem programa de rádio e publicidade paga nas revistas de novelas, e se ornamenta com títulos de "Professor", "grande astrólogo médium espiritualista cartomante", e que promete "solução para todos os problemas, mesmo os mais difíceis". Há-os assim mais atirados para o marketing agressivo, e há-os mais reservados, daqueles que acreditam que a publicidade boca a boca ainda é a mais eficaz.

É difícil tipificar, pois trata-se de actividades envoltas em muitos mal-entendidos, pouco ou nada claras, e protagonizadas muitas vezes por verdadeiros fura-vidas, que frequentemente nem possuem qualquer tipo de mediunidade, mas são espertos que nem ratos...

Abordemos para já os menos honestos, que são os que realmente prosperam. Este tipo de pessoas sabe dizer o que o cliente quer ouvir. São clássicos o "tem uma pessoa na família/na vizinhança/no trabalho/que lhe quer mal". Está encontrado o bode expiatório! Ou então há sempre um familiar falecido que, alegadamente, "precisa de luz".

São outras tantas oportunidades de negócio. O "profissional" pode impingir então uns quantos dispositivos materiais que, segundo ele, vão "desembaraçar a vida" da pessoa: ervas para queimar em defumadouros; líquidos para esfregar no corpo; velas; amuletos diversos, sejam anéis, pulseiras, saquinhos para trazer no bolso, etc.; rezas para recitar x vezes ao dia, a horas marcadas; etc., etc., etc..

Se a pessoa possui de facto mediunidade, é difícil convencer o consulente de que apesar disso o que ela diz não é necessariamente uma escritura... "Mas ele/ela acertou nisto e naquilo!!!" - e se acertou, se "adivinhou", então trata-se de alguém infalível!

É próprio da natureza humana a atracção pelo desconhecido, e um certo frisson causado por uma destas consultas pode ser muito entusiasmante... Para mais, o médium comerciante sabe falar ao coração, sabe entusiasmar, sabe ganhar a confiança do consulente, e... abusar dela!
Porque se o aluno não estudar, não passará no exame por obra de velinhas nenhumas; o alcoólico não deixará de beber sem vontade e ajuda médica, por muitos amuletos que se compre; a fortuna não aumentará sem trabalho e sem talento, por muitas ervas que se queimem!...

Se o aluno passa, se o alcoólico deixa de beber, se a fortuna sorri, pelo esforço pessoal e possivelmente pelo ânimo que as magias deram - então o médium comerciante aumenta o seu prestígio! Mas se não funcionam os expedientes mágicos, não se pense que a sua reputação corre perigo, pois as vítimas, tomadas de vergonha, raramente ousam denunciar a fraude e o abuso de confiança em que caíram! Se a vítima resolve queixar-se, cai no ridículo e poucas vezes consegue provas para fazer valer as suas queixas. Para mais, bate-se com pessoas extremamente astutas, pois são vigaristas profissionais.

Há casos mais graves, nos quais as pessoas não perdem apenas o dinheiro, e há médiuns que cobram dinheiro e são sérios.

O que é grave para nós, espíritas, é que muitas o nome do Espiritismo aparecer associado a tais práticas. "Vou a uma senhora, a uma espírita", ouve-se de vez em quando. Ou "Lá está esta propaganda do "Professor Mafunfula", e eu que detesto estas coisas de Espiritismo"! Confunde-se médium com espírita, e são muitas vezes os médiuns comerciantes que se apresentam como espíritas, por ignorância, ou... marketing!

Pela nossa parte, vamos sempre deixando o alerta: as magias não funcionam, essas práticas são ingénuas ou fraudulentas; convidamos quem queira saber mais, a estudar Espiritismo - não para se tornar espírita, mas para saber mais e ter uma visão diferente sobre esses assuntos.



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