Autor Tópico: Lenda do Holandês Voador  (Lida 68 vezes)

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Offline Ricardo

Lenda do Holandês Voador
« em: Março 05, 2018, 12:21:04 am »
Os antigos marinheiros, especialmente na Idade Média, eram muito supersticiosos, mas ainda hoje, crenças antigas sobrevivem, apesar de todo o avanço na cultura, no conhecimento e na tecnologia.
Em antigos documentos, pode-se encontrar registro de um navio real que zarpou de Amsterdã em 1680 e foi alcançado por uma tormenta no Cabo da Boa Esperança, vindo a naufragar. Como o capitão  insistira em dobrar o cabo, foi condenado a vagar para sempre pelos mares, atraindo outros navios e, por fim, causando sua destruição. Vários relatos sobre o tal navio foram considerados miragens, embora haja uma grande variedade de detalhes descritos pelas testemunhas. No entanto não é o primeiro mito destas águas, depois do “Adamastor” descrito por Camões nos Lusíadas.
Existem histórias que citam o capitão de um navio que, ao atravessar uma tempestade, foi visitado por Nossa Senhora, que atendia às preces dos marinheiros desesperados. Culpando-a pelo infortúnio, atacou a imagem (ou amaldiçoou-a), atraindo para si a maldição de continuar vagando pelos sete mares até o fim dos tempos.
Durante a segunda guerra mundial, o contra-almirante nazista Karl Donitz, oficial do alto escalão alemão, reportou a Hitler que uma das suas tripulações mais rebeldes comunicou que não iria participar de uma viagem a Suez pois havia visto o Holandês Voador. No ano de 1939, 100 nadadores que descansavam na Baía Falsa, na África do Sul, disseram ter avistado o Holandês Voador.
A lenda da embarcação-fantasma Holandês Voador é muito antiga e possui diversas versões. A mais corrente é do século XVII e narra que o capitão do navio se chamava Bernard Fokke, o qual, em certa ocasião, teria insistido, a despeito dos protestos de sua tripulação, em atravessar o conhecido Estreito de Magalhães, na região do Cabo Horn, que vem a ser o ponto extremo sul do continente americano. Ora, a região, desde sua primeira travessia, realizada pela navegador português Fernão de Magalhães, é famosa por seu clima instável e sua geleiras, os quais tornam a navegação no local extremamente perigosa. Ainda assim, Fokke conduziu seu navio pelo estreito, com funestas consequências, das quais ele teria escapado, ao que parece, fazendo um pacto com o Diabo, em uma aposta em um jogo de dados que o capitão venceu, utilizando dados viciados. Desde então, o navio e seu capitão teriam sido amaldiçoados, condenados a navegar perpetuamente e causando o naufrágio de outras embarcações que porventura o avistassem.
O navio foi visto também em 1632 no Triângulo das Bermudas, comandado pelo seu capitão fantasma Amos Dutchman. O marujo disse que o capitão tinha rosto de peixe e corpo de homem, assim como seus tripulantes. Logo após contar esse relato, o navegador morreu. Uns dizem que foi para o reino dos mortos; outros, que hoje navega com Dutchman no Holandês.
Nos trópicos equatoriais existem lendas que surgiram no século XVIII sobre Davy Jones ser o capitão do Holândes voador. Nessa lenda, Davy Jones seria o capitão amaldiçoado do navio e estaria condenado a vagar para sempre nos mares pela ninfa do Mar Calypso, podendo desembarcar por 1 dia a cada 10 anos, sendo essa também a lenda utilizada nos filmes Piratas do Caribe: O Baú da Morte e Piratas do Caribe: No Fim do Mundo.
Essa lenda também serviu de inspiração para o compositor alemão Richard Wagner, ao criar a ópera de mesmo nome.
Outras referências:
No desenho animado Bob Esponja existe um personagem que “imita” o Holandês Voador, em sentido figurado. Sua história é bem parecida com a do Holandês (neerlandês) da mitologia.
No capítulo 606 do mangá One Piece o Holandês Voador aparece sob o comando de Van Der Dekken.
No seriado O Elo Perdido há um episódio sobre o Holandes Voador.
No jogo Age of empires existe um código no qual se digita “Flying dutchman” e um navio fantasma surge no centro da cidade.
Relato no Diário do HMS Inconstant:
No noite do dia 11 de julho de 1881, perto da Costa de Melbourne na Austrália, os vigias do castelo de proa do  HMS Inconstant anunciaram a aproximação de um barco a bombordo. Treze tripulantes, dentre eles os Oficiais foram até às amuradas para ver o recém-chegado.  De acordo com os diários de bordo de dois aspirantes reais que estavam a bordo, o príncipe George (depois Rei George V) da Inglaterra e seu irmão, príncipe Albert Victor, emanava do barco uma “estranha luminosidade vermelha como a de um navio fantasma todo iluminado”. Seus “mastros, vergas e velas sobressaíam nitidamente”. Todavia, instantes depois, “não havia nenhum vestígio de algum barco de verdade”.
As testemunhas achavam que haviam visto o Holandês Voador, o lendário navio fantasma que aterrorizou marinheiros durante séculos. A Lenda seria algo assim: apesar de todas as súplicas de sua tripulação, o Capitão Holandês Cornelius Van Derdekken insistiu em  atravessar o Cabo Horn (próximo ao Estreito de Drake) em meio a violenta tempestade. Então o Espírito Santo apareceu, mas o satânico Capitão disparou sua pistola e amaldiçoou o Senhor. Por sua blasfêmia, Deus lhe rendeu uma maldição, o barco foi condenado a navegar por toda a eternidade, sem nunca poder parar em um porto. Desde então, os marinheiros dizem que um encontro com o Holandês Voador é um prenúncio de desastre.
Assim foi para o HMS Inconstant. Os diários dos membros da família real registram que mais tarde, naquela mesma manhã, um  desventurado vigia caiu da trave do mastro principal e ficou “inteiramente despedaçado”. E, ao chegar ao porto de destino, o Almirante do barco foi acometido de uma doença fatal. Mera coincidência ou será a Maldição do Holandês Voador?
Outro exemplo da superstição do homem do mar pode ser visto no livro Shogun, de James Clavell (e também na minissérie homônima), onde um bispo precisa impedir a partida de um navio, e para isso nega a benção e ameaça toda a tripulação com excomunhão caso saiam do porto. Nem as ordens do Capitão os faz saírem do lugar. Estariam condenados a um naufrágio caso desatracassem sem proteção divina garantida.
Uma crença difundida nos navios antigos, baseada em passagem bíblica, era o perigo de se ter a bordo um “Jonas”, tripulante azarado que podia comprometer seriamente o navio, atraindo longas calmarias ou violentas tempestades, sendo corrente a crença de que tal pessoa deveria ser desembarcada na primeira oportunidade ou mesmo atirada ao mar em viagem, em casos mais extremos.
E quanto ao Cabo Bojador? Acreditava-se que depois do cabo, localizado no que é hoje o Saara Ocidental começava o Mar Tenebroso, onde a água era tão quente que cozia os peixes; o ar não era só quente mas também venenoso, os brancos tornavam-se negros e havia monstros marinhos.
Havia ainda superstições envolvendo determinados pássaros sobrevoando o navio, mulheres a bordo, etc.
O marujo moderno, por incrível que pareça, ainda conserva certas crenças antigas. Citando apenas algumas delas:
Penas dão azar: Por 3 vezes, vi Comandantes novos e antigos mandarem jogar fora todos os espanadores de bordo, pois as penas representariam mau agouro.
Outra crença diz que todos que estão em um passadiço de um navio em viagem, devem conversar olhando para vante, sendo inadmissível que uma pessoa se coloque virada para ré. Caso alguém faça isso, um navio que venha roda-a-roda chegará inteiramente despercebido.
Outra ação que traz azar para bordo é quando um tripulante tem algumas horas de entretenimento em terra com determinada profissional feminina e volta para bordo sem pagar o serviço. Essa não parece ser séria, mas sim uma maneira de “aperrear” um colega e vê-lo “pegar corda”.

Fonte: Piratas - Os senhores das águas sombrias



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