Tarot - O Tarot faz mal?

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Offline Ricardo

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Tarot - O Tarot faz mal?
« em: Março 03, 2018, 11:54:58 pm »
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Perguntaram-me certa vez se o tarot era capaz de fazer mal. Ora, a coisa é bastante simples a meu ver: até mesmo se beber água demais ou estiver esfomeado e comer muito e apressadamente, lhe fará mal. Então, com o tarot não será diferente. Porém, não é o inofensivo baralho que, encerrado nas suas imagens simbólicas, baterá à porta do consultor para infernizar-lhe a vida: é o tarólogo, o responsável pelos recados que o ditoso maço de cartas possibilita. E o tarólogo, esse sim, pode ser um bom ou mau profissional – isso acontece em qualquer área, campo profissional, desde um médico, psicólogo, enfermeiro a um advogado. Devo lembrar que o consultante entra com a sua parcela de responsabilidade ao escolher o profissional que fará a leitura, então, o crédito vai para quem indicou, os critérios de escolha do profissional ou apenas a propaganda que atraiu o consultor. Vale também lembrar que nenhum tarólogo vai-lhe bater à porta a oferecer atendimentos e já somos todos grandinhos para responder pelas escolhas que fazemos (ou fizemos).

Falando dos malefícios de um atendimento de tarot, enumerei dez tópicos para reflexão e ponderação tanto dos profissionais quanto dos consultor:
1) O tarot faz mal quando o consultor faz do seu tarólogo a sua última e única saída – nenhum profissional é um Deus para resolver a vida de ninguém, ainda mais num único atendimento;
2) O tarot faz mal quando o consultor acha que o atendimento vai responder ao que quer ouvir – então, de um simples mal-estar a sintomas de raiva podem ser experimentados;
3) O tarot faz mal quando o consultor é orientado a não tomar certas decisões e faz tudo ao contrário – se a pessoa se deu mal, foi única e exclusivamente pela sua teimosia e ignorância;
4) O tarot faz mal quando o tarólogo se coloca acima de tudo e de todos acreditando ter poder absoluto sobre acontecimentos e vida do consultor – o tarólogo é um simples tradutor e não pode (e nem deve) colocar-se na consulta como se fosse um jogo de xadrez;
5) O tarot faz mal quando se confunde religião com a prática, fazendo uma "salada" de conceitos ou ideias – o tarólogo deve respeitar o credo de cada um e nunca impôr o seu;
6) O tarot faz mal quando o tarólogo adopta uma abordagem fatalista onde tudo parece definitivo, imutável e irreversível – muitos consultores são influenciáveis e susceptíveis, portanto, todo cuidado é pouco;
7) O tarot faz mal quando se visa poder, dinheiro, fama exclusivamente pelo tarot – alçado a objecto meramente comercial, o praticante torna-se um puro mercenário e coloca as necessidades do consultor em último lugar
8 ) O tarot faz mal quando o tarólogo promete "mundos e fundos" ao consultor sem condição de cumprir qualquer coisa – o profissional não deve vender sonhos e sim, uma realidade compatível com o nivel de aprendizagem do consultor;
9) O tarot faz mal quando o tarólogo escarnece da prática e desrespeita outros profissionais – é preciso ter cuidado entre ter humor e se rebaixar, gozando com outrem;
10) O tarot faz mal quando parece que, à vista do público, é o "segredo dos segredos" ao qual só uns poucos podem ter acesso ao conhecimento – o tarot para fazer um verdadeiro bem deve ser universalizado e utilizado como recurso transformador do ser.

Que mal o tarot poderá fazer? O mal só reside  num só lugar: na ignorância humana.

In Clube do Tarot por Giancarlo Kind Schmid

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1 – O tarot está fechado e não será possível efectuar a leitura
O tarot não é como um computador que, quando trava, abre uma tela a dizer: “o seu sistema realizou uma operação ilegal e será fechado”. Não existem “jogos fechados”, somente “tarólogos fechados ao jogo”. Se o praticante convenciona, por exemplo, que o aparecimento do arcano “O Mago” debaixo do maço de cartas após o baralhamento significa que “a abertura do jogo não será possível”,  do ponto de vista da leitura isso nada influenciará. Os arcanos na mesa podem ser lidos a qualquer momento, mas mitos como esse reflectem dificuldades que, na verdade, são impostas pelos próprios tarólogos.

2 – Ler o tarot é dom divino, portanto, é obrigação do tarólogo fazer caridade.
Tal mito tornou-se um problema de cunho religioso. No Brasil (e Portugal também...), devido ao sincretismo que vivemos ao fundir conceitos, ideias e valores de ordem espiritual, passou-se a acreditar que o tarólogo está afiliado a alguma prática, normalmente espírita. Mas, é fundamental separar os credos da atividade taromântica propriamente dita, pois o tarot não depende da fé do indivíduo para dar o seu recado. Deste modo, com a concepção de que o tarólogo recebeu um dom de Deus para exercer a prática, ficou estigmatizado que, algo recebido “de graça”, deve ser oferecido caridosamente. A confusão que existe nisso, justificada na maioria das vezes pela desinformação, impôs ao tarólogo a obrigação de oferecer gratuitamente os seus serviços. Não critico quem o faça, porém, é fundamental separar uma condição de outra: o tarólogo é um profissional que estuda, investe e tem gastos como qualquer outro, e deve ser reconhecido como tal. Além disso, a caridade pode ser praticada de outras formas, sem a necessidade de colocar o tarot (e outros oráculos) como intermediários.

3 – O tarot, em si, é composto apenas pelos 22 Arcanos Maiores.
Esse mito foi propagado por Papus no século XIX ao separar os Arcanos Maiores dos Arcanos Menores, criando a concepção de que o primeiro grupo é o verdadeiro tarot e o segundo grupo, uma ramificação da “cartomancia vulgar”. Esse preconceito fora propagado de tal forma, que restringia-se o uso dos Maiores aos homens e os Menores (e outros baralhos de naipes) às “mulheres e afeminados”. Hoje, muitos desculpam-se ao afirmar que basta o uso dos Maiores numa leitura, distanciando-se de qualquer chance de estudo dos Menores. Por um lado, entendo como preguiça (por acharem que é difícil a sua aprendizagem); por outro, falta de conhecimento do conjunto simbólico do tarot em si (que são os 78 Arcanos). Acredito que é possível trabalhar apenas com os Maiores (assim como os Menores), não questiono quem o faz (trabalhei durante 8 anos somente com os Maiores); porém, o tarot é um baralho de 78 Arcanos e deveríamos explorar todo o seu potencial simbólico a partir das múltiplas combinações entre Maiores e Menores.

4 – Somente é possível utilizar o baralho depois de consagrá-lo.
Mito oriundo do ocultismo. Mais uma vez, entra o credo no lugar da razão. De nada adianta consagrar baralhos se o praticante não tem conhecimento e nem preparo para uma leitura. Alguns acreditam que consagração é uma espécie de iniciação mística, com propósito de conferir tanto “poderes como protecção” ao baralho e a quem o utiliza. Mas, ao longo destes anos venho a observar na prática que a qualidade da leitura e bem estar do tarólogo não depende de qualquer tipo de consagração. Lembremos que o tarot jamais “falará por si mesmo” e de nada adianta parafernalhas esotéricas (incensos, velas, taças com água, etc.) para assegurar uma boa leitura se o tarólogo não estiver amadurecido para desenvolver um bom trabalho.

5 – O tarólogo é tão somente um médium a receber instruções espirituais.
Mediunidade significa mediação. Todos possuímos, em maior ou menor escala, um grau de mediunidade. Porém, quando se toca no assunto, nos reportarmos normalmente às incorporações espirituais. O tarólogo, em primeiro lugar, deve ser um conhecedor da linguagem simbólica e imagética dos arcanos. Qualquer coisa que se afira espiritualmente à prática é oriunda da natureza parapsíquica do praticante. Se o referido é clarividente, clariaudiente, telecinético, médium de incorporação (e outros), isso nada tem a ver com a prática taromântica em si. Quero dizer com isso, que independe da mediunidade do tarólogo a sua competência como praticante. Há tarólogos excelentes que apenas se valem do seu conhecimento simbólico para realizar leituras; há também aqueles que, através da incorporação, realizam excepcionais análises.

6 – Não podemos tocar no baralho de outra pessoa devido às energias.
Se adoptarmos tal premissa, qualquer coisa onde os outros toquem não convém colocarmos as mãos. O grande problema é a mistificação em torno das cartas, como se elas estivessem na condição de talismãs. A impregnação energética não se detém ao papel do baralho, acontece, muitas vezes, no simples contacto com a outra pessoa. Se está receptivo e aberto às influências do outro, impossível não se contaminar. Cabe ao tarólogo assegurar as suas defesas espirituais e energéticas e isso mais depende do tipo de prática espiritual do profissional do que a actividade taromântica em si. Tocar ou não tocar no baralho de outra pessoa pouco ou nenhuma diferença faz, pois as energias não se prendem exclusivamente ao objecto em uso.

7 - É proibido fazer leituras em datas santas ou domingos.
Isso está mais de acordo com o credo do praticante do que o trabalho em si. Pode-se ler o tarot em qualquer  dia,  hora,  ambiente:  basta que o praticante e o consultor se sintam à vontade para desenvolver a consulta. As condições locais mais influenciam do que datas propriamente ditas, pois é aconselhável que o ambiente seja tranquilo e que a disposição (física, mental, emocional, psicológica, espiritual) do tarólogo esteja equilibrada o suficiente para garantir uma orientação adequada ao consultor.

8 – Não é possível realizar atendimentos à distância.
Um mito derrubado na última década. O raciocínio é muito simples: se conseguimos falar de pessoas que nem estão presentes durante a consulta, o que impede de orientar o consultor à distância? Será que é a presença física que assegura a consistência e credibilidade do trabalho? Não sou a favor de tiragens eletrónicas, pois essas não permitem o desenvolvimento da interpretação; já a leitura feita por telefone, email e/ou qualquer programa eletrónico via internet (Skype, MSN, Facebook, etc.) que proporcione interactividade entre o tarólogo e o consultor, que permita uma boa comunicação (e orientação) entre ambos, não há nenhum tipo de problema.

9 – O tarot nunca erra, quem erra é somente o tarólogo.
Talvez seja o mito mais controverso. A pergunta que devemos fazer é: será que o tarot é infalível como instrumento simbólico? Partindo-se da premissa que os símbolos nada representam se nós, seres humanos, não dermos “voz” a eles; isso impõe o erro a quem sempre interpreta, pois o oráculo, em si, não tem autonomia sem um intérprete. Alguns acham que o tarot tem “vida própria” e se pronunciará por si mesmo. Só que os símbolos são estruturas geradas por nós, humanos, e não podem se manifestar (expressar) se não estiverem inseridos num contexto. Talvez aí esteja o maior equívoco: acreditar que o tarot “se comunica”, independente de um intérprete. Creio que seja uma “via de mão dupla”: os arcanos e os seus símbolos dirão aquilo que está ao alcance do intérprete; se o tarólogo não estiver preparado, o tarot pouco ou nada dirá sobre a situação. Já o contrário, o tarot dirá tudo que for preciso, pois o tarólogo é conhecedor dos conteúdos simbólicos. Creio que o tarot erra sempre que o tarólogo erra.

10 – Mulheres grávidas não devem consultar o tarot.
A gravidez torna a mulher mais sensível e suscetível emocional e psiquicamente. Talvez esse mito exista porque no período de gestação muitas mães ficam mais impressionáveis e influenciáveis psicologicamente. Se o tarólogo for sensível o suficiente para não preocupar ou angustiar a gestante, creio não ser um problema realizar o atendimento. Cada pessoa é uma pessoa e também não é possível generalizar, afirmando que todas as mães ficam mais vulneráveis emocionalmente durante a gestação; mas, o cuidado que devemos ter ao realizar um atendimento para uma grávida deve ser maior. Todas as emoções que a mãe sentir serão transmitidas à criança, portanto, delicadeza e tato são imprescindíveis. O mesmo vale para consultores doentes, em fase de separação, recém desempregados, que tenham sofrido alguma perda significativa, enfim, o tarólogo deve apoiar e ajudar o consultor fragilizado de forma que o trabalho traga bem estar e não preocupações desnecessárias.

Por Giancarlo Kind Schmid