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Online Ricardo

Rituais satânicos do interior ao litoral alentejano
« em: Fevereiro 28, 2018, 11:12:01 pm »
Rituais satânicos do interior ao litoral alentejano
 
 
20-09-2013

Rituais satânicos. Missas negras, em locais urbanos, em locais isolados. Em locais propícios a práticas esotéricas. Em igrejas, cemitérios, em pinhais, matas. Tudo isto já aconteceu e continua a acontecer na região, desde o interior ao litoral. Mas há algo que persiste com frequência: manifestações significativas contra o património religioso. Só no território da Diocese de Beja já se registaram mais de três dezenas. Em Santiago do Cacém, por exemplo, há uma ermida que voltou a ser profanada em agosto.

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Texto Bruna Soares Ilustração Susa Monteiro

Tudo indica que, especialmente a partir da entrada no novo milénio, a prática de rituais satânicos se tornou num fenómeno em crescimento, acerca do qual se sabe ainda muito pouco. É assim que José António Falcão, diretor do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, começa por falar destas manifestações. Tudo porque no território da Diocese de Beja já se registaram, desde então, mais de três dezenas de manifestações significativas e contra o património religioso, associadas sobretudo a meios urbanos. Santiago do Cacém, Sines, Beja, Serpa ou Moura são alguns dos exemplos a registar.

“É evidente que estas práticas ocorrem também no âmbito de outras dioceses do Sul”, garante o diretor do departamento, para rapidamente acrescentar: “Mas aí optou-se pelo silêncio”. E porque se prefere tantas vezes não divulgar? A verdade é que “a Igreja Católica lida mal com o que está a suceder, pois trata-se de um adversário desconhecido e muito agressivo. Nas paróquias há quem minimize o assunto, por ter receio de o enfrentar em todas as suas consequências. Por vezes hesita-se em fazer queixa às autoridades, pois o arquivamento das participações tornou-se, nestes casos, quase uma regra”, adianta José António Falcão.
Acontece que as práticas de satanismo já anteriormente tinham chocado a região e não apenas as que se direcionaram ao património religioso.

A faixa litoral que liga Vila Nova de Santo André a Odemira chegou a ser apelidada de “corredor negro”, por tantas vezes ser palco das mais variadas práticas satânicas.


São conhecidos, entre outros, os relatos de um pescador da praia de São Torpes, que garante ter assistido a um ritual, que juntou cerca 60 pessoas, vestidas de negro, numa noite de Carnaval. Ritual, esse, que, na altura, apelidou de “coisa estranha”.
Mas nessa faixa, nos pinhais, também há relatos que garantem que são encontradas, com frequência, as “mais macabras oferendas ao Demónio”. Há, porém, um caso que marcou a memória de muitos. O desaparecimento de um casal de jovens alemães, que terá sido “morto por compatriotas durante um ritual satânico num monte isolado entre Odemira e São Luís”. Thoralf Horn e a mulher Ute Dietzmann, ambos com cerca de 30 anos.

O caso voltou a ser reaberto quando, em março de 2003, na Alemanha, uma mulher em estado terminal confessou ter participado, sete anos antes, na execução de dois compatriotas seus, algures em Odemira, mais concretamente no chamado “Pego das Pias”.
Thoralf, divulgavam as notícias publicadas na altura, terá sido morto “à paulada e esquartejado”. Quanto a Ute, que foi morta ou se suicidou, “terá sido encerrada, na companhia de um bode, no qual os homicidas acreditavam ter encarnado o companheiro, num compartimento da casa”. O corpo foi depois esquartejado e queimado num forno.

Mas voltando aos rituais contra o património religioso. O Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja afirma que “os rituais satânicos e as práticas conexas revelam‑se, em geral, muito agressivos”. “Deixam um rasto inconfundível de destruição: igrejas vandalizadas às quais é largado fogo”. Mas há mais. “Por vezes, acontece a profanação de símbolos religiosos (defecação no interior dos lugares de culto, por vezes sobre altares, nas pias de água benta, entre outros”, denuncia José António Falcão: “barramento de imagens e outros símbolos com excrementos, inversão dos cruxifixos, que ficam colocados de pernas para o ar e com preservativos usados nas extremidades” e, claro, “a mutilação de imagens”. “É usual que lhes cortem as orelhas, o nariz, as mãos e o pés e que lhes vazem os olhos”, adianta o historiador.

O revolvimento e emprego abjeto de toalhas dos altares, alfaias litúrgicas, a violação dos sacrários, o furto e espezinhamento de hóstias consagradas, o uso indevido de cálices e outras alfaias em missas negras e os rituais sexuais sobre os altares e sacristias, são outros dos exemplos deixados.
“Tudo isto cria um sentimento de desconforto, pânico e revolta nas comunidades, despertando mecanismos de alarme social”, considera o diretor do departamento.


Litoral mais sacrificado

Os casos mais chocantes ocorreram em igrejas do litoral alentejano. A ermida de São Pedro, na encosta do castelo de Santiago do Cacém, sítio propício a práticas esotéricas, devido ao relativo isolamento e à proximidade do cemitério, é um monumento mártir.


“Em 2005, foi palco de uma missa negra, seguida de ritual orgíaco, com a criação de um ‘altar’ pagão na sacristia; o armário dos paramentos serviu então para as ‘sacerdotisas’ manterem relações sexuais com ‘fiéis’, sobre o leito de folhas de papel com preces a Lúcifer. Quando examinei o local, horas depois do sucedido, não pude deixar de lembrar-me das cerimónias descritas por Huysmans em "Là-bas”, recorda José António Falcão.

O cenário repetiu-se recentemente, em agosto passado, embora agora de um modo menos completo, mas com intensidade suficiente para deixar a igreja num caos, segundo relata o departamento da Diocese de Beja. “Basta lembrar que os blocos de pedra usados para apedrejá-la, e posteriormente arrombar a sua porta, foram retirados dos alicerces dos arcos da galilé, que ficaram numa situação instável e podem ruir”.

Há, no entanto, mais monumentos que têm sido alvo, nos últimos anos, destas práticas, incluindo escavação ilegal e vandalização de túmulos existentes no seu interior, nomeadamente em Santiago, Sines, Odemira, Beja, Serpa e Moura.

Mas o que leva grupos de pessoas a introduzirem-se nos templos para procederem a este género de celebração? Para José António Falcão, “o satanismo recrudesce em todo o Ocidente e encontrou um terreno fértil em Portugal e Espanha. Há uma plêiade de organizações para-religiosas que o promove com afinco entre grupos bem informados e, até, qualificados: profissionais liberais, quadros, docentes, estudantes…”.

A crise também é apontada como potenciadora, uma vez que tem, na opinião do departamento, nutrido alguns destes movimentos, cuja disseminação beneficia das novas tecnologias. “Numa sociedade desgastada pela perda das raízes, o neopaganismo atrai sequazes, fascinados pela sua aparente liberdade e pela sua dramatização do ciclo vital. Daí aos atentados contra os lugares de culto cristão podem ir poucos passos”, afirma José António Falcão.

Realidade, esta, que nada se assemelha a uma outra que também aflige os defensores do património religioso: o roubo de arte sacra, que também se continua a verificar na região. “Quem furta, tem em vista, geralmente, comercializar os objetos de que se apossou e não lhe interessa danificá‑los, ao menos de propósito. Pelo contrário, o vandalismo associado a práticas satânicas e, num outro plano, de feitiçaria, tende a revelar-se extremamente severo. A destruição real e simbólica faz parte do seu código genético. Isto coloca muitos problemas aos responsáveis pelo património e, em especial, pela arte religiosa”.

Esconder esta realidade é, assim, na opinião do departamento, “um erro”. “A primeira coisa a fazer é não negar uma realidade que está a manifestar-se com verdadeira contundência”. Realidade, porém, que importa conhecer, estudar e prevenir.

“Falta sensibilidade para tratar o assunto como ele merece e isto reflete-se numa efetiva carência de proteção para muitos monumentos”, alerta José António Falcão. Defendendo ainda: “Quem destrói os marcos da nossa identidade coletiva deve ser identificado e punido exemplarmente. A impunidade vigente tem que deixar de ser uma regra”. Contudo, tudo o que se realizar a nível local e regional, na opinião do diretor do departamento, “permanecerá comprometido enquanto continuar a faltar uma estratégia nacional para a salvaguarda do património religioso”.

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A Ermida de São Pedro

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