Autor Tópico: Por que algumas pessoas lembram-se dos seus sonhos e outras não?  (Lida 332 vezes)

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Offline Ricardo

Hoje de manhã, você acordou com uma forte lembrança de se preparar para um concurso de beleza nos cassinos de Las Vegas enquanto procurava um smoking barato pelas lojas da cidade. Ontem, porém, você teve um pesadelo no qual você estava em uma casa assustadora com um velho que parecia ser apenas um esqueleto. Você conta seus sonhos loucos para seus amigos, que nunca se lembram de sonho algum. Mas por que isso acontece? O que faz com que algumas pessoas se lembram dos seus sonhos e outras não?
•Ressonâncias magnéticas ajudam cientistas a compreender os sonhos

É difícil dizer por que alguns dias temos a nítida sensação de que nosso sonho foi verdadeiro, e conseguimos lembrar muito bem de detalhes dele, enquanto outras vezes recordamos apenas uma sensação boa ou ruim – e, em outros dias, não nos lembramos de absolutamente nada.



•Como a ciência explica nossos sonhos estranhos e pesadelos

Cientistas têm estudado há muito tempo nossos sonhos, mas a verdade é que não compreendemos por completo a ciência cognitiva que existe por trás deles. Nós não sabemos exatamente como ou quando os nossos cérebros produzem sonhos enquanto dormimos, e não sabemos por que algumas pessoas se lembram dos seus sonhos o tempo todo, enquanto outros raramente se lembram deles.

No entanto, de acordo com um novo estudo sobre a neurofisiologia do sono, a função do cérebro difere significativamente entre aqueles de nós que se lembram dos sonhos mais vividamente e aqueles que apenas vagamente lembrar do que sonharam, numa média de uma ou duas vezes por mês. As pessoas que são melhores em recordar seus sonhos acordam mais vezes durante a noite, além de responder mais prontamente ao som do seu próprio nome – tanto quando estão dormindo quanto acordados.
•Sonhos lúcidos: aprenda a controlar os seus sonhos

Em um estudo do Centro de Pesquisa de Neurociência em Lyon, na França, cientistas levaram 36 indivíduos jovens e saudáveis para dormir em um laboratório durante uma noite, ligados a sensores de eletroencefalografia EEG. Eles também usavam fones de ouvido que ocasionalmente emitiam diferentes estímulos auditivos em intervalos esparsos, incluindo uma gravação de uma voz masculina dizendo primeiro o nome dessa pessoa, bem como um nome desconhecido.

Metade dos indivíduos só se lembra de um sonho uma ou duas vezes por mês e a outra consegue recordar seus sonhos quase todos os dias. O primeiro nome dos participantes foi escolhido como um estímulo, porque são sons complexos aos quais as pessoas parecem apresentar uma grande resposta.

“Em resposta aos primeiros nomes, os dois grupos produziram ondas cerebrais diferentes”, conta Perrine Ruby, o principal autor do estudo. “Os participantes que frequentemente lembram os sonhos parecem reagir muito mais ao ambiente que os cerca. Os demais participantes se mostraram muito mais resistentes a estímulos externos”, diz.

Esta alta capacidade de reação pode estar relacionada às razões pelas quais o primeiro grupo acorda mais frequentemente no meio da noite, durante o sono – um processo que provavelmente explica por que eles se lembram mais dos sonhos quando acordam, pela manhã. “Há uma hipótese forte de que o despertar durante o sono facilita que o sonho permaneça em nossa memória”, explica.

Ruby esperava ver as diferenças no EEG entre os dois grupos de pessoas quando eles escutavam os próprios nomes enquanto estavam dormindo. Todavia, ela se surpreendeu ao descobrir que as pessoas que lembram mais dos sonhos também apresentaram maior atividade elétrica no cérebro, em comparação com o outro grupo, quando ouviam seu nome estando acordadas.

“Nós pensamos que talvez se o primeiro grupo estava sonhando muito mais, o sonho poderia interferir no processamento dos sons externos, mas durante o período acordado não havia razão alguma para esperarmos diferenças”, relata.

Estes resultados indicam que existem diferenças no funcionamento do cérebro entre as pessoas que se lembram de seus sonhos e aqueles que não o fazem. Porém, uma maneira de o cérebro reagir não é necessariamente melhor do que a outra. “Não é um bom ou mau funcionamento, é apenas uma maneira diferente no processamento de informações”, explica Ruby. “Essas diferentes formas de processamento parecem facilitar – ou atrapalhar – a ligação entre o sonho e a memória”.



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