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Offline Neferus

A torre do silêncio
« em: Abril 04, 2017, 02:24:57 pm »
A macabra torre do silêncio!

O Dakhma, também é conhecido como “Cheel Ghar” em hindi e “Torre do Silêncio” em Inglês. Trata-se de uma estrutura circular, construída e usada por zoroastristas para a exposição dos mortos, especialmente para que as aves necrófagas como urubus e abutres possam proceder seu “trabalho” de escarnificação.

O tipo de construção não é especificado pelo nome. Dakhma ou dokhma (do persa dakhmag) originalmente designava qualquer lugar para largar os mortos. Da mesma forma, nos textos medievais de tradição zoroastrista, a palavra astodan aparece, mas hoje essa palavra denota um ossuário.


O termo “Tower of Silence” é um neologismo atribuído a Robert Murphy, que, em 1832, era um tradutor a serviço do governo colonial britânico na Índia. Esse termo nunca foi uma tradução, e sim uma forma meio poética que o inglês usou para traduzir o nome do lugar.

A tradição zoroastriana considera um corpo, bem como seus cabelos e unhas como “Nasu”, algo imundo, ou seja, potenciais poluentes. Especificamente, o demônio cadáver (avéstico:  nasu daeva ) adentrava o corpo e contaminar tudo o que entrava em contato com ele, daí o Vendidad (um código eclesiástico “dado contra os demônios”) tem regras para a eliminação dos mortos com toda “segurança” possível.

Para impedir a poluição da Terra ou do fogo, os corpos dos mortos são colocados em cima de um dakhma e ali são deixados expostos ao sol e aos pássaros que limpam as carcaças. Assim, “a putrefação com todos os seus males concomitantes… é impedida.”

As torres, que são razoavelmente uniformes na sua construção, tem um telhado quase plano, com o perímetro a ser ligeiramente maior do que o centro. O teto é dividido em três anéis concêntricos: Os corpos dos homens estão dispostos em torno do anel exterior, as mulheres no segundo círculo, e as crianças no anel mais interno. Uma vez que os ossos tenham sido branqueados pelo sol e vento, o que pode demorar até um ano, eles são jogados no grande fosso do centro da torre, onde é derramado cal sobre eles, para que os ajude a se desintegrar.

Os fluidos são escorridos em canaletes e passam por diversos filtros como carvão e areia, antes de serem eventualmente despejados no mar. Os agentes do ritual são sempre (exclusivamente) uma classe especial de pallbeareres, chamados nasellares , algo como “zelador da imundice”.

A mais antiga referência ao ritual vem de Heródoto, onde o historiador descreve os ritos secretos.
Na tradição dos persas, as torres são edifícios achatados cercada por florestas e jardins, que têm acesso a poucos e escolhidos carregadores ou portadores de corpos.
 Nos últimos anos, tem havido uma diminuição grave da população de abutres na Índia, devido à utilização de diclofenaco, um fármaco utilizado para reduzir a dor dos mamíferos (incluindo os humanos) que se acumula no corpo como parte do tratamento. o diclofenaco, então, entra indiretamente no corpo do abutre que consumir o corpo dos mamíferos, causando insuficiência renal na ave. O uso de diclofenaco foi proibido na Índia desde 2005, como medida para proteger as aves necrófagas. A redução da população de urubus tem sido tão brutal, que eles perigam entrar na classificação das espécies extremamente vulneráveis. Isto levou a comunidades parses a considerar seriamente realizar planos de reprodução assistida desses animais, a fim de continuar seus ritos funerários.

Fonte:
Mundo Gump
Philipe Kling David



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