Autor Tópico: São iguais perante Deus o homem e a mulher e tem os mesmos direitos?  (Lida 279 vezes)

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Offline Ricardo

Na questão 817 do O Livro dos Espíritos, Allan Kardec perguntou aos espíritos: “São iguais perante Deus o homem e a mulher e tem os mesmos direitos?” E os espíritos responderam com outra pergunta: “Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?”

Deus criou ESPÍRITOS e, partindo do princípio doutrinário, este não tem sexo. Tanto podemos encarnar em corpo masculino como feminino. Somos iguais quanto à origem e destinação, inteligência e perfectíveis. Por isso, homem e mulher devem exercitar direitos idênticos. Graças a Deus, estão distantes os tempos em que, filósofos discutiam se a mulher tinha alma; tempos onde ela tinha dono (o primeiro era o pai e o segundo o marido). Somente em sociedades primitivas pode persistir a concepção de que ela é inferior ao homem. No século 20 iniciou-se os movimentos feministas que garantiram à mulher o direito de votar, de exercer profissão liberal, de gerir seus próprios negócios, de exercitar o livre-arbítrio. O que contribuiu para essa desejada igualdade foi quando a mulher começou a exercer uma atividade profissional, não simplesmente por uma necessidade de auto-afirmação, mas, sobretudo, em decorrência de um problema econômico, a fim de auxiliar na formação de renda que atenda às necessidades se subsistência da família. São raros os lares que podem dispensar tal iniciativa. Mas somos obrigados a reconhecer que o processo de libertação da mulher não se faria de forma pacífica, que geraria dificuldades no relacionamento familiar e inspiraria perturbadoras iniciativas na alma feminina. Muitos lares estão em crise porque a mulher não admite ser contestada em sua disposição de fazer o que julga conveniente. Ela ajuda nas despesas da casa, mas quer que o marido retribua a gentileza ajudando nos afazeres domésticos. As mulheres que chamamos de “do lar”, trabalham a semana todo com os afazeres do lar para que o marido saia tranqüilo para o trabalho. Mas nos finais de semana e feriados, ela não acha justo que só o marido usufrua desta regalia. Nestas datas ela quer que eles a ajudem. E o homem, com caráter machista, acha-se ofendido. Mas este abalo ou atrito é necessário para que haja modificações profundas, e com o tempo serão superados na medida em que a humanidade assimilar plenamente um princípio fundamental: a igualdade de direitos entre o homem e a mulher.


Por isso, Allan Kardec perguntou na questão 822-a: “Assim sendo, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher?” E os mentores responderam: “Dos direitos sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete . . .”


Pretender absoluta igualdade envolvendo as funções é contrariar a própria biologia. O homem foi estruturado para o trabalho mais pesado; a mulher é convocada às responsabilidades do lar, particularmente no cuidado dos filhos. Não pretendemos reinstituir as Amélias, o retorno da mulher à condição de escrava do lar. Ela tem o direito e, mais que isso, a necessidade de desenvolver atividades na comunidade. Mas é preciso reconhecer que acima dos sucessos no campo social e profissional, está a suprema realização feminina como esposa e mãe, sustentando o lar, que é reconhecidamente a célula básica da civilização. A família pode transformar a casa de tijolos em lar, quando os membros desenvolvem os valores éticos, as responsabilidades morais. É dentro dos lares que saem as pessoas que irão compor a sociedade. Os futuros médicos, professores, engenheiros, políticos, pais, mães, funcionários públicos, profissionais em geral. Portanto, lares equilibrados, sociedade equilibrada; lares desequilibrados, sociedade desequilibrada. A sociedade é o reflexo de nossos lares.
A renovação das criaturas se fará através da “educação”. Não da educação instrução, que recebemos nos bancos escolares, mas da educação moral, que recebemos dentro do lar. Através, principalmente, do exemplo. Mas, como espíritos imperfeitos podem ser bons educadores? Reconhecemos as verdadeiras educadoras não pela santidade, mas pelo “esforço” e pela “disciplina” que trouxerem como bagagem, os quais serão os alicerces firmes e sólidos da “educação”. São valores reconhecidos pelos que buscam acertar na tarefa. Então, devemos ter sempre conosco a legenda “educar-se para educar”, a fim de não esquecermos nossa necessidade de progresso. E, a cada avanço na jornada evolutiva, melhoramos nossa condição de educadores. O espírito eminentemente feminino, na sua maioria, já adquiriu na esteira das encarnações sucessivas enormes cabedais de afetividade e sensibilidade, amor e ternura, carinho e delicadeza, devido muito especialmente à doação incessante à maternidade e aos membros da família.

O aperfeiçoamento moral de todo espírito reencarnado passa inevitavelmente pelo trabalho amoroso e educativo de toda mãe terrestre, como afirma e espírito Agostinho no O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. XIV, item 9: “Merecei as divinas alegrias que Deus concede à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar.”



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